Modelo físico cujos blocos fundamentais são objetos extensos unidimensionais. O interesse na teoria das cordas é dirigido pela grande esperança de que ela possa vir a ser uma teoria de tudo.

25 julho 2007

Alguém mais um

Agora só fica mesmo a vontade de escrever. De palavras bonitas o fundo da sacola está vazio, de idéias boas a caixinha já nem serve, de inspiração o coração de alguém está cheio, de paciência a cabeça de niguém mais vive. Sempre o telefone toca, ou a musica acaba, ou você chega. E quando o telefone toca, pode ser alguém importante, e quando a música acaba, pode começar outra, mas quando você chega, pode ser a pé ou voando, ai sim só resta resto. Só sobra sobras de mundo real e de inspiração que vinha aos poucos. Só fica ficção, daquelas de filme, de que talvez possa existir algo mais. E eu posso desligar o telefone ou mudar de música, mas eu não posso desligar nem mudar, eu ou você, tanto faz. Você sabe que você é minha principal falta de palavras, idéias, inspiração e paciência, não sabe? Porque, se não souber, então o que eu tô fazendo aqui? E de repende eu to contando segundos segredos pela janela e esperando por não ser só alguém, ser alguém mais um.

18 julho 2007

portrait

Será que eu ainda passo? Será que eu vou bater a cabeça? Porque agora minha mão encosta? Eu me lembro muito bem de ter que fica pulando, toda vez que chegava no 6° ou 7° degrau para ver se eu conseguia bater a mão.. E não batia. E era a maior graça. Era meu maior orgulho aquelas paredes amarelas e o interruptor dos dois lados; um lá em cima, um lá em baixo. E era como viajar por uma vida que eu não tinha vivido em alma, só em corpo. O tempo não passava: eu poderia ficar lá o dia inteiro e eu poderia levar todos para olhar as fotos e depois ver a minha carinha de orgulho e meu sorriso radiante diante das minhas memórias roubadas e sendo construidas. Hoje não passam disso: memórias. Não vejo mais a graça que via quando era criança. Vejo uma nova graça. Vejo uma saudade e uma vontade de não bater as mãos. Me vejo pequena, a observar as fotografias na escada da minha vó.

02 julho 2007

Garagem

A cada dia que passo me arrependo mais e mais de te manter só nas minhas melhores lembranças, quando na verdade eu queria te manter do meu lado. Você faz uma falta daquelas que as palavras não explicam, a distância só não justifica e os instantes que a gente passa juntos no ano não são suficientes pra me fazer acreditar que um dia vai passar, porque não passa nunca; tá sempre aqui. Fazendo falta e doendo. Me enganando todo dia fazendo eu pensar que pessoas vem e pessoas vão na nossa vida. Que mentira mais deslavada! Você não veio, nem foi. Você só fica aqui, nas minhas melhores lembranças, na minha saudade, no meu jeito de sorrir, naqueles dias que eu pego o rádio e ponho aquele cd e sento no chão e fico, fico sentindo que alguma coisa tá faltando, e me demoro sentada até perceber que o que falta é o verde dos seus olhos e o movimento dos seus dedos na corda do violão e o único silencio que eu conheço que fala mais que qualquer letra que as vezes a gente vivia, e ai tudo encaixa. E eu percebo que você sempre vai ficar na minha vida, graças à tudo que você é. E quer saber de uma coisa? Você fica porque eu quero, e esse seria um ótimo motivo pra te ter sempre por perto.

25 junho 2007

Tempo-Será

A eternidade está longe.
Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma da minha mão.

Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A eternidade está longe,
Brinca de tempo-será.

Manuel Bandeira

23 junho 2007

Capitalista

Sou mesmo, e daí? Não ligo se você acha egoísta da minha parte, mas sou capitalista e pronto! Como te parece a idéia de comprar um sorriso? A mim me agrada, ainda mais se for com outro sorriso. E a idéia de financiar uma ajuda, e pagar quando puder? Idéia particular inalienável, liberdade de contrato e de dispensa, lei da disponibilidade e da necessidade, exagero de opções. Resultado: Difença. O capitalismo gera maior riqueza (cultural, ideal, intelectual, opcional, diferencial) para a sociedade, e os comunitas que me perdoem, mas que graça há em ter as mesmas coisas? Prefiros ter meus próprios sonhos, meus próprios ideais, minhas própias metas, meu próprio rumo, ter pessoas diferentes, ser pessoas diferentes, ter vários rostos, várias desculpas, várias noções de errado que parece certo e de certo que parece incomum e de incomum que parece comigo. Há quem diga que o capital é o mais importante item do sistema. Concordo plenamente. Ai está minha cabeça, aberta para compra, troca, uso e desuso; eis o capital. Prefiro ter prateleiras de abraços dos mais caros e de palavrões dos mais baratos em supermercados 24hras, à palavras ditadas e sugeridas em horários pré-determinados e preços pré-estabelecidos por quem quer saber mais da minha vida do que eu mesma. Puis minha vida em liquidação. É de quem chegar primeiro. É de quem levar os sorrisos, os abraços, os palavrões, os sonhos, os rumos, e pagar à vista, sem direito à troca nem devolução. Peça única, graças ao sistema. Portanto, sim, sou egoísta, individualista, idealista. Sou só capitalista.

20 junho 2007

Panorama

"Você vai ver que eu cresci.
Você vai ver que grupos diferentes tem diferenças iguais, e já é algo em comum.
Você vai ver que pessoas precisam de pouquíssima energia de ativação para reagirem.
Você vai ver que quilômetros de distância são vidas de saudade, mas não são motivos de esquecimento.
Você vai ver que um mês passa rápido e que três dias demoram a passar; depende do que se espera.
Você vai ver que todo mundo e ninguém pode tudo.
Vai ver que o céu não tem cor, mas que a cor do céu é tão bonita quanto se precisa que ela seja.
Você vai ver que nem todo lugar pode ser claro como uma tarde de domingo, que nem toda pessoa pode ser trasparente como o seu reflexo, que nem todo caso pode ser simples como plano inclinado.
Você vai ver que nem toda aparência engana, que nem todo diet é sem açucar, que nem toda vontade adianta.
Você vai ver que nem todas as pessoas são gente, que nem todas as mentiras são nocivas, que nem todo amor é bom.
Você vai ver mudanças agradáveis e rotinas disformes.
Vai ver que barba e saudade são coisas que crescem logo, e que os dois parecem bonitos de longe.
Você vai ver que as coisas fáceis são fáceis, e que as coisas difíceis são fáceis e que as coisas impossíveis são fáceis também, só requerem mais trabalho, mas você vai ver que, quando se trata de pessoas, eis uma exceção à esta regra.
Você vai ver que as vezes cansaço não passa com uma noite de sono, só com uma hora no melhor lugar do mundo, e que o mundo tem vários melhores lugares que a gente nunca vai achar.
Você vai ver que andar é bom, tomar chuva é ruim e vice-versa.
Vai ver que o vento pode ser gelado, que o leite pode ser gelado, mas que a coca não pode ser quente.
No final de tudo, você vai ver que eu sou ainda mais criança do que parece."

18 junho 2007

Segunda-feira

De ontem em diante serei o que sou no instante agora, onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa. Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas. Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem.

17 junho 2007

Que graça tem?

'Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida. Arte é sangue, é carne. Além disso não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos, só podemos expor o que somos.'

Graciliano Ramos

16 junho 2007

Vírgula

Você já brincou de ficar à toa? Já brincou de sentar no chão gelado de azulejo branco manchado e olhar na direção da janela pra seguir com a cabeça a presunção ir e vir em forma de fiapo de roupa cara que a gente compra e nunca usa? E já reparou como é doce a voz dele no balanço fácil da musicasinha não-famosa e popular quando o quarto está tão claro que parece praia? E o pé fica liso e sempre parece feito quando se pensa em alguma coisa amena e põe no chão depois de um sol inteiro voltar ao meridiano. E você encherga a preguiça na barra da calça rasgada e nos ventos que não enredam o cabelo. E o cheiro de hortelã faz parecer que todas as convenções se esvaiam rapidamente pelos olhos semi-abertos. Olhos estes que refletem aquela mesma construção de dois anos atrás e a mesma água de uma vida que ouve bossa-nova desde todas aquelas vezes e não sabia o tamanho do cômodo. Não dá pra não notar a poeira laranja dançando na claridade da manhã interrompida pelo nome e pela data do cabeçalho. Ela conta segredo de duas paredes dentro do quarto que nem é dela. Ninguém tem culpa da tristeza que vai e cai só a saudade trazida pelo mesmo vento que mexe com o cabelo de laranja. Ele disse que tá na hora de acabar com esse negócio de viver longe de mim. Balela. Você já brincou tanto de escrever que sentiu que o tempo passou pela janela e envelheceu toda a cidade levando a criança com o caderno de calos para tão longe que se esquece de procurar o infinito do verbo conjugado? Você já esqueceu de por vírgula?

15 junho 2007

Concluindo..

O poeta caiu no poço porque andava olhando as estrelas.