Modelo físico cujos blocos fundamentais são objetos extensos unidimensionais. O interesse na teoria das cordas é dirigido pela grande esperança de que ela possa vir a ser uma teoria de tudo.

20 junho 2007

Panorama

"Você vai ver que eu cresci.
Você vai ver que grupos diferentes tem diferenças iguais, e já é algo em comum.
Você vai ver que pessoas precisam de pouquíssima energia de ativação para reagirem.
Você vai ver que quilômetros de distância são vidas de saudade, mas não são motivos de esquecimento.
Você vai ver que um mês passa rápido e que três dias demoram a passar; depende do que se espera.
Você vai ver que todo mundo e ninguém pode tudo.
Vai ver que o céu não tem cor, mas que a cor do céu é tão bonita quanto se precisa que ela seja.
Você vai ver que nem todo lugar pode ser claro como uma tarde de domingo, que nem toda pessoa pode ser trasparente como o seu reflexo, que nem todo caso pode ser simples como plano inclinado.
Você vai ver que nem toda aparência engana, que nem todo diet é sem açucar, que nem toda vontade adianta.
Você vai ver que nem todas as pessoas são gente, que nem todas as mentiras são nocivas, que nem todo amor é bom.
Você vai ver mudanças agradáveis e rotinas disformes.
Vai ver que barba e saudade são coisas que crescem logo, e que os dois parecem bonitos de longe.
Você vai ver que as coisas fáceis são fáceis, e que as coisas difíceis são fáceis e que as coisas impossíveis são fáceis também, só requerem mais trabalho, mas você vai ver que, quando se trata de pessoas, eis uma exceção à esta regra.
Você vai ver que as vezes cansaço não passa com uma noite de sono, só com uma hora no melhor lugar do mundo, e que o mundo tem vários melhores lugares que a gente nunca vai achar.
Você vai ver que andar é bom, tomar chuva é ruim e vice-versa.
Vai ver que o vento pode ser gelado, que o leite pode ser gelado, mas que a coca não pode ser quente.
No final de tudo, você vai ver que eu sou ainda mais criança do que parece."

18 junho 2007

Segunda-feira

De ontem em diante serei o que sou no instante agora, onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa. Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada são coisas distintas. Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem.

17 junho 2007

Que graça tem?

'Só conseguimos deitar no papel os nossos sentimentos, a nossa vida. Arte é sangue, é carne. Além disso não há nada. As nossas personagens são pedaços de nós mesmos, só podemos expor o que somos.'

Graciliano Ramos

16 junho 2007

Vírgula

Você já brincou de ficar à toa? Já brincou de sentar no chão gelado de azulejo branco manchado e olhar na direção da janela pra seguir com a cabeça a presunção ir e vir em forma de fiapo de roupa cara que a gente compra e nunca usa? E já reparou como é doce a voz dele no balanço fácil da musicasinha não-famosa e popular quando o quarto está tão claro que parece praia? E o pé fica liso e sempre parece feito quando se pensa em alguma coisa amena e põe no chão depois de um sol inteiro voltar ao meridiano. E você encherga a preguiça na barra da calça rasgada e nos ventos que não enredam o cabelo. E o cheiro de hortelã faz parecer que todas as convenções se esvaiam rapidamente pelos olhos semi-abertos. Olhos estes que refletem aquela mesma construção de dois anos atrás e a mesma água de uma vida que ouve bossa-nova desde todas aquelas vezes e não sabia o tamanho do cômodo. Não dá pra não notar a poeira laranja dançando na claridade da manhã interrompida pelo nome e pela data do cabeçalho. Ela conta segredo de duas paredes dentro do quarto que nem é dela. Ninguém tem culpa da tristeza que vai e cai só a saudade trazida pelo mesmo vento que mexe com o cabelo de laranja. Ele disse que tá na hora de acabar com esse negócio de viver longe de mim. Balela. Você já brincou tanto de escrever que sentiu que o tempo passou pela janela e envelheceu toda a cidade levando a criança com o caderno de calos para tão longe que se esquece de procurar o infinito do verbo conjugado? Você já esqueceu de por vírgula?

15 junho 2007

Concluindo..

O poeta caiu no poço porque andava olhando as estrelas.

14 junho 2007

Libertinagem

Todos os vícios tem lados ruins. É um fato. Estava aqui toda felizinha com meu novo vício de escrever, achando que tinha descoberto a geladeira que sai água da porta, e me toquei que tinha que estar estudando! Eis o lado ruim do meu vício. Já estava pensando em maneiras de larga-lo quando me lembrei de uma coisa que meu professor me disse: O ser humano escreve para aliviar a dor.
Dá pra acreditar? Então meu vício não só tem lado ruim, como é o pior dos vícios! Enquanto eu for viciada vai doer, e enquanto dói eu vou escrevendo e esperando que alguém leia e enxergue essa tal dor, que já vai tão longe, que nem eu a enxergo mais.
O fato mesmo é que, no exato momento em que eu escolho cuidadosamente as palavras, percebo que a dor está aqui. Que tudo que me incomoda está prestes a sair pelas pontas dos meus dedos e entrar na tela branca na minha frente, e eu deixo.
Eu deixo porque, ás vezes, não incomoda de forma ruim. Ás vezes é só falta. Ás vezes é tanta felicidade que incomoda mesmo. Ás vezes é só serenidade em brisa. Ás vezes é medo também. Ás vezes é só uma saudade. Ás vezes são só palavras, idéias soltas. Ás vezes nem tem importância, mas é tão rotina, que faz falta não colocar cinco, dez, mil palavras para serem lidas por uma, duas, no máximo três pessoas.
Conformada, escrevo pensando: Dos deleitos, o melhor. Dos vícios, o pior.

13 junho 2007

Roxo extraterrestre

Vim expor uma descoberta. Comecemos pela pergunta. De onde vem o roxo? Não a cor roxa, o roxo, aquele, de batida, de contusão. Pois é, meu joelho vivia roxo quando eu era menor (não criança, porque essa eu ainda sou), mas eu sabia que devia ser por causa do balanço ou qualquer outra super-brincadeira-mais-legal-do-mundo de criança. Mesmo depois de um pouco maior (pouca coisa) eu sabia que devia ser por causa daquele dia dois meses atrás quando eu bati a batata da perna na carteira ao sair correndo para o recreio, apesar de achar o máximo fingir que não sabia por que cargas d’água esse roxo gigantesco tinha aparecido.
Mas esse me pegou de surpresa, juro! Gastei uma tarde toda da minha vida, daquelas em que o céu está bem azul e o sol está bem ali e eu realmente tinha coisas para fazer, pensando de qual mundo obscuro apareceu essa porcaria desse roxo, bem de baixo da minha clavícula. Vê se pode! Impossível bater essa região sem querer, como você faz com o dedinho do pé na quina da cama ou com a canela no degrau da escada.
Esse seria meu primeiro caso, mas eu não descarto a possibilidade de eu ser sonâmbula e ter me metido em uma briga madrugada à dentro, mas isso ainda não explica porque o roxo só ali. Ainda tem a tese mais defendida pela minha mãe de que eu não como direito, não durmo direito, não falo direito, não tomo água direito, não estudo direito, por isso estou susceptível a qualquer tipo de anomalia, inclusive roxos vindos do além.
Nenhuma dessas teorias me agradou. Pensei a tarde toda e cheguei à uma conclusão. A única que faz sentido; As criaturas extraterrestres que existem nos sucos de uva de caixinha finalmente acharam um lugar propicio para sua instalação: A parte posterior à minha clavícula direita. É perfeito! Primeiro: é um lugar cheiroso, porque, querendo ou não, o perfume escorre pelo pescoço. Segundo: é um lugar grande, pelo menos a minha. Terceiro: eu tomei suco de uva de caixinha ontem. Quarto: é um lugar alto, e todo mundo sabe que criaturas extraterrestres, principalmente as do suco de uva de caixinha, adoram lugares altos.
Tudo se iluminou na minha cabeça nessa hora. Afinal, não foi uma tarde toda perdida. Só não sei se a raça humana está preparada para ouvir a verdade.

Meio prédio ensolarado

Mundinho pequeno não é? Mas nada de laranjas. Na volta eu juro que pego. Vontade de ouvir um samba com bossa-nova estilo Noel Rosa-João Gilberto, e olhar você ir e vir através tempo, tomando um chá ou um banho. Tanto faz.

12 junho 2007

Conversado

O que ela faz, na verdade, é inspira-lo a ser um pouquinho mais você, só para tentar ter um pouquinho mais dela.


*estão ficando menores não?

10 junho 2007

Letter to God

Não tenha medo de mim. Eu só quero mudar tudo. Eu duvido que pelo menos uma dessas pessoas que querem mudar tudo seja constante, então como eu posso ser? Eu só quero ser feliz. Eu duvido que pelo menos uma das pessoas que querem ser felizes saiba exatamente o que ela quer, então como eu posso saber? Eu só quero que você leia as minha impressões digitais, cerebrais, cardíacas, musculares, espasmáticas, respiratórias, e saiba exatamente o que elas querem dizer, afinal, foi você quem as fez. Não tenha medo de mim. Tanta gente já tem. Mas eu sou igualzinha a tanta gente com medo. Medo da sua invensão. Medo da sua difusão. Medo efêmero, eu confeso; já passou. Por isso não tenha medo de mim; eu estou aqui por sua causa.